Vento

Vento

Vento – Paulo Braga Silveira Junior

O vento bagunçou o teu cabelo
chegando brincalhão e inesperado
num pé-de-vento em grande rebolado
sem nada que pudesse, enfim, detê-lo!

Aflita, combatias o bastardo
mas ele não ouvia o teu apelo
e, pra ficar pior teu pesadelo,
mais forte ele se fez por resultado.

Soprou, varreu, bailou de todo jeito
buscando, a seu critério, dar efeito
ao teu penteado exposto ao sol ainda…

De nada lhe valeu bater pesado…
Eu, que te admirava ali de lado,
te via a cada sopro ainda mais linda!…

Soneto: Vento – @PauloBragaJr – Paulo Braga S.Junior/Agosto/2020

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#Poesia #Poema #Soneto

Saudade (Da Costa e Silva)

Saudade! Olhar de minha mãe rezando,
e o pranto lento deslizando em fio…
Saudade! Amor da minha terra… O rio
cantigas de águas claras soluçando.

Noites de junho… O caboré com frio,
ao luar, sobre o arvoredo, piando, piando…
E, ao vento, as folhas lívidas cantando
a saudade imortal de um sol de estio.

Saudade! Asa de dor do Pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento…
As mortalhas de névoa sobre a serra…

Saudade! O Parnaiba — velho monge
as barbas brancas alongando… E, ao longe,
o mugido dos bois da minha terra…

Ato de Caridade (Djalma Andrade)

Que eu faça o bem e de tal modo o faça,
que ninguém saiba o quanto me custou.
— Mãe, espero de Ti mais esta graça:
que eu seja bom, sem parecer que o sou.

Que o pouco que me dês, me satisfaça
e, se do pouco mesmo, algum sobrou,
que eu leve esta migalha onde a desgraça
inesperadamente penetrou.

Que a minha mesa, a mais, tenha um talher,
que será, minha Mãe, Senhora Nossa,
para o pobre faminto que vier.

Que eu transponha tropeços e embaraços:
— que eu não coma, sozinho, o pão que possa
ser partido, por mim, em dois pedaços!

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